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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Velejando de Natal para Recife Out 2014


Velejando de
Natal para Recife
(outubro 2104)

        Depois de quase uma semana em Natal, esperando uma boa janela de tempo, decidi que iria tentar sair na sexta pela manhã por volta das 04:30 da manhã, pois nessa hora normalmente o vento dá uma acalmada e facilita a saída de Natal.
     Na quinta à noite, o veleiro Carapeba, um delta 36 do Aratu Iate Clube decidiu que iria tentar sair rumo à Recife. Por volta das 20:00 horas de quinta, largou as amarras da poita e seguiu rumo à Boca da Barra.

       Por voltas das 22:00 horas, o comandante do Carapeba me chamou no rádio para perguntar quanto estava o vento no clube, que é bem protegido do SE e S. Informei que o vento estava em 22 nós ali dentro. Ele me passou que o vento lá fora estava na casa de 27 na cara e com ondas também na cara de 2,5 metros. Eles decidiram então retornar ao clube e deixar a saída para o dia seguinte.
      Na mesma noite, por volta das 23:00, o comandante do Tarú Andé um veleiro de aço com mais de 20 metros, decidiu seguir destino para Recife.
Logo ao amanhecer recolhemos a âncora do Bepaluhê, subimos a vela mestra no segundo rizo e seguimos para a Boca da Barra. 


  
       Já sai de Natal algumas vezes e sempre procuro fazer a mesma rota que me ajuda a vencer aquele ventão e aquele marzão de Deus.
      Aqui em Natal normalmente o vento está na casa dos 18 nós e o mar com 2m. Aproveitar uma janela é muito importante para não trazer sofrimento para o barco e tripulação. Ao sair na Boca da Barra notei que o vento estava mais para S do que para SE como era previsto e isso significava muito motor até Recife.
  O mar pela manhã deu uma trégua. Até o primeiro waypoint seguimos a 4,5 nós com a ajuda do motor e da mestra. A genoa estava enrolada.
Não demorou muito e com a mudança de rumo o vento foi ficando cada vez mais espetado e apesar disso sabíamos que não podíamos perder aquela oportunidade, pois uma janela em Natal em outubro pode demorar bastante. Eu e meu amigo Odilon seguimos firme no nosso rumo que era um ponto no través de Cabedelo. O Bepaluhê, um baita barco, cortava as ondas que teimavam vir pela proa e não dava uma batida sequer, muito bom ver ele navegando contra o mar.

Quando a noite chegou, já podíamos observar a grande quantidade de luzes vermelhas na costa da Paraíba, que nada mais é do que o parque eólico da região.
Ao passarmos pela entrada de Cabedelo o vento não deu trégua e continuou nos apertando e rondando para S impedindo uma boa velejada. Normalmente na altura de cabedelo já é mais fácil descer para Recife só na vela.
A ideia inicial era ir direto para Maceió, mas com aquele vento decidimos parar em Recife e dar uma olhada na meteorologia.
No dia seguinte o vento apertou um pouco e nada de mudar de quadrante, continuando praticamente S até nossa chegada em Recife. Chegamos no PIC (Pernambuco Iate Clube) às 21:00 e, depois de um bom jantar, fomos dormir para no dia seguinte entrar no Cabanga. Para nossa surpresa, ao chegar no Cabanga, muitos barcos estavam parados esperando uma mudança do vento.
Encontramos uns 8 barcos por lá e o Cabanga, devido a previsão de mar ruim e vento contra, concedeu mais 10 dias a todos os barcos para ficarem no Cabanga sem cobrar taxa.
No Cabanga demos uma boa geral no barco e deixamos tudo pronto para a próxima etapa: Recife – Salvador.

Abraço a todos,
Chagas
Veleiro Intuição

quarta-feira, 1 de abril de 2015

VOLTANDO DE NORONHA PARA NATAL





VOLTANDO DE NORONHA
 PARA NATAL

Depois de algum tempo sumido do blog volto com o relato da FENAT 2014 (Noronha – Natal).
Depois de uma semana maravilhosa no paraíso chamado Noronha, começamos a nos preparar para voltar ao Continente, para ser mais claro, voltar para Natal participando da FENAT 2014.


Durante a semana que estivemos em Noronha ficamos a bordo do veleiro Talento do amigo Pedro, um barco MJ 38 muito confortável. No decorrer da semana estávamos sempre de olho na previsão do tempo, pois todas as voltas para Natal nos últimos 4 anos não foram nada fáceis.


A previsão era muito boa, com mar calmo e vento E de 17 nós.
Na sexta pela manhã, eu e meu amigo Odilon, embarcamos no Veleiro Bepaluhê do nossa amigo Paulo e de sua esposa Elisabeth, onde voltaríamos para Natal.
Ainda na sexta abastecemos o Bepaluhê com água doce e completamos os tanques de diesel e voltamos para terra para aproveitar o último dia em Noronha.
Como todos vocês já sabem o Bepaluhê é um 41 pés de alumínio projeto cabinho com quilha retrátil, uma maravilha de barco.
Acordamos cedo no sábado e aproveitamos para dar uma geral no convés e logo estávamos bordejando pela enseada de Santo Antônio esperando a hora da largada.


Às 09:10 foi dada a largada e como estava previsto ao passarmos pela ponta da sapata o 

mar estava bom e o vento também. O Bepaluhê navegada a 6/7 nós rumo a Natal, uma beleza de velejada.
Por volta do meio dia notamos que o mar deu uma boa crescida e o vento já passava da casa dos 20 nós. Com o passar do tempo o vento foi aumentando e o mar, de comum acordo com ele, foi crescendo, chegando fácil aos 3m. O Comandante Paulo decidiu colocar um rizo na grande e o barco ficou mais controlado e o vento seguia aumentando.
Pelo rádio começamos a escutar o menor monocasco da regata um Velamar 28 que começava a ter dificuldades devido ao mar alto e os fortes ventos. Eu conhecia o seu comandante e como já tinha participado dessa regata com o Intuição dei a dica para ele sair pela madrugada para chegar de dia em natal, pois se saísse junto com os grandes, fatalmente chegaria à noite em Natal.


O Velamar 28 é um barco muito bom, mas alguns detalhes deixaram de ser seguidos, como por exemplo, a vela mestra, que apesar de nova só tinha um rizo e isso foi fundamental para o sofrimento do barco e sua tripulação.
A tripulação do Velamar informou ao navio da Marinha que estava com muitas dificuldades de timonear o barco, pois as ondas estavam bem de través e adernava muito o barco.
Como nessa região o mar é bastante desconcentrado, tudo vira uma máquina de lavar e timonear fica complicado, principalmente naquelas condições de vento acima dos 28 nós, chegando a 32.
A noite foi bastante mexida, pois o vento apertou ainda mais, passando dos 30 nós. O Bepaluhê não tomava conhecimento e seguia firme rumo à Natal.


Na madrugada, o navio patrulha da marinha se aproximou do Velamar 28 e sempre mantinha contato com sua tripulação, motivando e incentivando a tripulação na dura missão de velejar naquele marzão de Deus.
A tripulação do navio da marinha está de parabéns, um trabalho fantástico, como é bom navegar com eles por perto.
Ao amanhecer, o mar continuou duro e o vento acima dos 30. Ficava imaginando como devia estar os veleiros que foram direto para Recife ou Salvador estavam pegando esse mar  e esse ventão de proa.

Não foi à toa que vários barcos chegaram quebrados e alguns com avarias sérias no porto do Recife.
Nosso GPS já dava a chegada em Natal para às 17:00. Durante todo o dia o mar ficou como estava e o vento sempre acima dos 28 nós. Chegamos em Natal ás 17:40. Fundeamos no Rio Potengi e corremos para a Churrascaria para comemorar mais uma travessia bem sucedida.



O Comandante Paulo e sua esposa vão desembarcar aqui em Natal e, eu e o Odilon, vamos seguir no Bepaluhê até Paraty, no Rio de Janeiro.
Agora é esperar uma janela do tempo para descer para Recife ou Maceió.
Obrigado ao nosso amigo e comandante Paulo pela confiança em nós depositada. Em breve o Bepaluhê estará descansando nas águas calmas da Baia de Paraty. (Chegou em segurança final de Novembro). Depois conto como foi toda a descida.





Sim, o Velamar 28 chegou em segurança e sem nada quebrado. Tiveram que baixar as velas e seguir no motor, com um pedacinho de genoa aberta, pois com aquele vento e com apenas uma forra de rizo na mestra timonear o barco com segurança ficaria muito difícil.



Abraço a todos,

Chagas Veleiro Intuição